A corrente da moto é responsável por transmitir a força gerada pelo motor até a roda traseira. Ela trabalha em conjunto com o pinhão e a coroa, formando o sistema conhecido como kit de transmissão. 

Para que esse conjunto funcione corretamente, a corrente não deve ficar totalmente rígida. Ela precisa apresentar a folga especificada pelo fabricante da motocicleta. 

Quando a corrente está muito apertada, pode haver aumento da pressão sobre os pinos, as articulações, a coroa e o pinhão. O desgaste acelerado causado por essa condição pode contribuir para falhas e, em situações mais graves, para o rompimento da corrente. 

Mas o problema não está apenas no excesso de tensão. Uma corrente muito frouxa também pode vibrar, chicotear, escapar dos dentes da coroa ou do pinhão e comprometer o funcionamento da transmissão. O ajuste correto está justamente no equilíbrio entre esses dois extremos. Nós aqui na DID orientamos, em nosso manual de instrução e uso correto da corrente, que tanto a tensão quanto a folga excessivas aceleram o desgaste do conjunto. 

Corrente muito esticada pode quebrar? 

Sim, uma corrente da moto muito esticada pode contribuir para o rompimento, principalmente quando o ajuste incorreto permanece por muito tempo ou está associado a outros problemas, como falta de lubrificação, corrosão, desalinhamento ou componentes já desgastados. 

Isso não significa que toda corrente apertada irá quebrar imediatamente. O processo pode começar com um desgaste progressivo e quase imperceptível. A tensão elevada aumenta a pressão sobre os pontos de contato da corrente e pode comprometer a película de lubrificação entre pinos e buchas, reduzindo sua vida útil. 

A partir de alguns materiais criados por nós, vemos que, uma corrente excessivamente tensionada desgasta mais rapidamente os dentes da coroa e do pinhão, as articulações e os pinos. A lubrificação deficiente também pode deixar as articulações rígidas, provocar vibrações e, posteriormente, contribuir para a quebra da mesma.  

Caso ocorra uma falha durante a pilotagem, todo o sistema de transmissão secundária pode ser afetado. Por isso, ruídos, mudanças no comportamento da moto ou alterações visíveis na corrente não devem ser ignorados.  

Por que a corrente da moto precisa ter folga? 

A corrente precisa acompanhar o funcionamento da suspensão e o movimento do conjunto durante a pilotagem. Por esse motivo, os fabricantes determinam uma faixa de folga adequada para cada motocicleta. 

Essa medida não é igual para todos os modelos. Ela pode variar de acordo com a construção da moto, o curso da suspensão, a posição dos eixos, o tipo de corrente e o método utilizado para apoiar a motocicleta durante a inspeção. 

Uma medida encontrada na internet ou utilizada em outra moto não deve ser copiada automaticamente. A referência correta está no manual do proprietário do modelo específico. 

Também é importante observar em qual condição a folga deve ser medida. Dependendo da motocicleta, o procedimento pode exigir cavalete lateral, cavalete central, suporte de manutenção ou outra posição determinada pelo fabricante. A área de manuais e guias da Honda, por exemplo, reforça que as instruções fornecidas com cada motocicleta devem prevalecer na manutenção do veículo.  

O que acontece quando a corrente fica muito esticada? 

O primeiro efeito costuma ser a aceleração do desgaste. Como a corrente trabalha sob uma carga maior do que a prevista, os pinos, as buchas e as articulações podem perder sua condição adequada de funcionamento. 

A pressão adicional também atinge a coroa e o pinhão. Com o tempo, os dentes podem apresentar desgaste irregular, e o conjunto pode produzir mais ruídos ou perder suavidade durante a transmissão da força. 

Outro risco é o surgimento de pontos rígidos. Nesse caso, alguns elos deixam de articular livremente. Ao girar a roda, a corrente pode parecer correta em um trecho e excessivamente tensionada em outro. 

Manter a corrente muito apertada também não corrige o alongamento provocado pelo desgaste. Quando os componentes internos já apresentam folgas e perda dimensional, apertar a corrente apenas esconde temporariamente um problema que pode exigir a substituição do conjunto. 

Como saber se a corrente está apertada demais? 

Nem sempre é possível identificar o problema apenas olhando para a corrente parada. Alguns sinais que merecem atenção são: 

  • ausência ou redução excessiva da folga prevista no manual;  
  • ruídos vindos da região da transmissão;  
  • dificuldade para movimentar a corrente verticalmente durante a inspeção;  
  • variação da tensão ao girar a roda traseira;  
  • elos rígidos, travados, oxidados ou deformados;  
  • desgaste irregular nos dentes da coroa ou do pinhão.  

A variação de tensão merece atenção especial. Manuais de motocicletas orientam girar a roda e verificar a corrente em diferentes posições. Quando há um trecho folgado e outro tensionado, podem existir elos presos, lubrificação inadequada ou desgaste irregular.  

Como conferir a folga com segurança? 

A medição deve seguir o procedimento do manual da sua motocicleta. De forma geral, a inspeção envolve os seguintes cuidados: 

  1. desligue o motor e deixe a transmissão em ponto morto;  
  2. apoie a moto exatamente como orientado pelo fabricante;  
  3. localize o ponto de medição indicado no manual;  
  4. movimente a corrente para cima e para baixo, sem forçar, e compare a medida com a especificação;  
  5. gire lentamente a roda traseira e repita a conferência em diferentes pontos.  

Nunca faça a inspeção com o motor ligado ou com a roda sendo movimentada pela transmissão. Além do risco de acidente, esse procedimento impede uma verificação controlada da corrente. 

Caso a folga varie muito durante o giro da roda, não escolha apenas o trecho mais solto para realizar o ajuste. Essa diferença pode indicar desgaste, desalinhamento ou articulações travadas e deve ser avaliada antes de continuar usando a moto. 

Nós aqui na DID recomendamos verificar a corrente regularmente e procurar um mecânico qualificado para o ajuste, pois cada aplicação possui uma especificação própria de tensionamento.  

Como ajustar corretamente a corrente da moto? 

Caso esteja sem tempo ou não consiga levar para um especialista, aqui vai uma forma bem simples de realizar o ajuste: geralmente envolve o afrouxamento do eixo traseiro e a movimentação dos reguladores posicionados nos dois lados da balança. Esses reguladores devem permanecer alinhados para evitar que a roda traseira fique fora de posição. 

Embora o procedimento possa parecer simples, ele exige atenção à folga, ao alinhamento e ao torque de aperto do eixo. Um ajuste feito somente por percepção visual pode deixar a corrente torta ou mais apertada do que deveria. 

A recomendação mais segura é seguir o manual do proprietário e utilizar as ferramentas adequadas. Quando não houver experiência, torquímetro ou conhecimento sobre o sistema de regulagem da moto, o serviço deve ser realizado por uma oficina especializada. 

Depois do ajuste, é necessário medir novamente a corrente e verificar se as marcações dos dois lados da balança estão na mesma posição. Também é importante girar a roda e confirmar se a folga permanece dentro da faixa determinada em toda a extensão. 

Limpeza, lubrificação e alinhamento também importam 

A regulagem não é o único cuidado necessário. A corrente trabalha exposta à poeira, à água, à lama e a outros resíduos que podem remover a lubrificação e favorecer a corrosão. 

Quando a sujeira se acumula entre os elos, o movimento das articulações pode ser prejudicado. Por isso, a limpeza deve ser feita antes da aplicação de um novo lubrificante e com produtos compatíveis com o tipo de corrente instalado. 

Correntes com retentores, como O-ring ou X-Ring®, exigem atenção adicional. Produtos agressivos podem prejudicar esses elementos de vedação. No conteúdo sobre cuidados com a corrente de transmissão, orientamos observar o aspecto da corrente, remover detritos antes da lubrificação e verificar o alinhamento do conjunto. O desalinhamento pode torcer os elos e acelerar o desgaste da coroa e do pinhão.  

Encontre a corrente correta para sua motocicleta 

A escolha deve considerar o modelo, o ano, a cilindrada, o passo, a quantidade de elos e o tipo de utilização da moto. Por isso, venha conhecer as correntes de transmissão DID®. 

Caso ainda tenha dúvida, você pode também entrar em contato conosco para tirar dúvidas técnicas ou comerciais! Acesse o atendimento da DID para o segmento de motos.